O primeiro filho de Adão e Eva foi Caim. Depois nasceu Abel. Eles não "fizeram" filhos, como às vezes se diz hoje em dia. Filhos devem ser vistos pelos pais como dom de Deus. Estes, portanto, também devem ser criados para Deus. Eva reconheceu no filho que lhe nascera uma bênção de Deus. Ao criar filhos, os pais muitas vezes experimentam bastante alegria, muitas vezes também, preocupação e tristeza. E o mesmo se deu com os primeiros pais.
O filósofo Rousseau afirmou que as crianças são como um papel em branco. Uma vez que o educador saiba evitar qualquer má influência sobre ela, poderá escrever oq ue quiser sobre essa "folha em branco". Todavia, o relato da primeira família nos ensina algo diferente. As influências exteriores não desempenharam nenhum papel na criação dos filhos do primeiro casal. O que de fato pesou no caso de Caim foi a natureza pecaminosa que recebera desde o nascimento. Seus pais provavelmente tiveram muita preocupação e tristeza por causa dele. A elevada expectativa de Eva resultou em grande desilusão.
Caim era religioso. Foi ele que ofereceu o primeiro sacrifício a Deus. Mas, ao contrário de seu irmão, ele não entendeu nada do fundamento sobre o qual um pecador pode subsistir perante Deus e se aproximar dEle. Abel também ofereceu um sacrifício, mas os sacrifícios dos irmãos foram diferentes. Se alguém ler a Bíblia superficialmente, poderá supor que a causa disso estava na diferença de seus ofícios. Caim, agricultor, ofereceu a Deus um sacrifício dos frutos da terra, e Abel, pastor, ofereceu a primogênita de suas ovelhas. Pode parecer natural. Mas, se pensarmos assim, perderemos a grande lição concernente à reconciliação que essa história encerra. Em Hebreus 11:4 lemos: "Pela fé, Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício do que Caim; pelo qual obteve testemunho de ser justo, tendo a aprovação de Deus quanto às suas ofertas. Por meio dela, também mesmo depois de morto, ainda fala".
Há uma grande diferença entre esses dois homens: Abel tinha fé e, fundamentado nessa fé, ofereceu sacrifício. Hebreus diz que ele ofereceu um sacrifício "mais excelente", um sacrifício de sangue, dando a entender que reconhecia sua culpabilidade diante de Deus. Ele cria em Deus e que este lhe aceitaria o sacrifício em seu lugar. O sacrifício de Caim evidenciava um rito religioso constituído segundo a vontade própria: ofereceu frutos da terra - da mesma forma que seus pais, que, depois de caírem no pecado, pensavam poder vestir-se perante Deus com folhas de figueira produzidas por uma terra maldita. As peles com as quais Deus os vestiu ensinavam de maneira figurada que o pecador só pode aproximar-se d Deus em virtude do sacrifício de um substituto executado no lugar deles. Adão e Eva tiveram de aprender essa lição e, sem dúvida alguma, também a ensinaram a seus filhos, mas Caim não a compreendeu. Razão pela qual lemos que Deus não se agradou "de Caim e de sua oferta" (Gênesis 4:5). Outra coisa que notamos aqui é que, nessas duas ofertas, Deus relaciona o ofertante com sua oferta.
Adão e Eva podiam contar a seus filhos os grandes deitos de Deus e compartilhar com eles os ensinamentos que eles próprios haviam recebido de Deus. Mas não estava ao alcance deles convertê-los nem induzi-los à fé. Isso é algo que só Deus pode fazer, mediante a operação do Espírito Santo.
O mesmo também se aplica aos pais da atualidade. Temos de estar profundamente cientes de nossa grande responsabilidade como ais e, ao mesmo tempo, convencidos da nossa completa incapacidade. Isso nos levará à oração. Rendamos graças a Deus pelos filhos que se convertem e evidenciam a verdadeira fé. Sigamos orando pelos que continuam demonstrando desinteresse.
Quando Caim viu que Deus rejeitara sua oferta, irou-se grandemente contra seu irmão e finalmente o assassinou. Por quê? O apóstolo João dá a resposta: "Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas" (1 João 3:12).
Não obstante, Deus também amava Caim, assim como ama a todos os pecadores. Nãoq uer que o pecador pereça, mas que se converta e seja salvo (veja 2 Pedro 3:9; 1 Timóteo 2:3-4). Por isso advertiu Caim antes de este consumar o ato deplorável. Posteriormente, quando Deus lhe anunciou o castigo, Caim reconheceu a gravidade de seu pecado. Teria sido arrependimento sincero? Ou ele teria ficado impressionado com os terríveisresultados de sua maldade? Quanto a isso, só podemos fazer suposições.
Caim foi desterrado. Antes de se retirar, Deus pôs sobre ele um sinal para que qualquer que o encontrasse não o ferisse de morte. Até no juízo pronunciado sobre Caim vemos a misericórdia de Deus. A expressão "quem quer que o encontrasse" (Gênesis 4:15) é óbvia referência aos outros filhos de Adão e Eva. Alguns provavelmente já haviam-se casado com uma das irmãs. O próprio Caim tomou uma irmã por mulher.
No lugar de Abel, Deus deu outro filho a Adão e Eva: Sete. Gênesis 5 nos fala dele e de sua descendência, é um caítulo que termina com Noé, cuja família vamos considerar numa próxima ocasião. A descendência de Caim nos é relatada no capítulo 4.
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